Wednesday, June 03, 2009


e a irmã de Alice...

Sentada, com os olhos fechados, quase acreditou estar ela mesma no País das Maravilhas, mesmo sabendo que quando abrisse os olhos novamente tudo voltaria a ser a chata realidade de sempre... a grama se mexeria apenas com o vento e a lagoa estaria se movimentando apenas com os juncos...o tilintar da xícaras novamente seria o badalar dos sinos pendurados nos pescoços dos carneiros...os gritos agudos da Rainha seriam apenas os berros do pastor...o espirro do bebê, o guincho do grifo, e todas as outras coisas esquisitas iriam transformar-se (ela sabia) no confuso clamor da vida no campo...assim como o mugir do gado à distância iria tomar lugar dos pesados soluços da Falsa Tartaruga.


Finalmente, ela imaginou como sua irmãzinha, no futuro, transformar-se-ia em uma mulher adulta: e como ela iria manter, através da sua maturidade o mesmo coração simples e afetuoso da sua infância: como também ela sempre estaria cercada de criancinhas e faria os olhos delas brilharem com muitas histórias estranhas, talvez até mesmo com o sonho do País das Maravilhas de há muito tempo atrás; como ela adoraria compartilhar com suas tristezas simples e alegrar-se com suas brincadeiras ingênuas, lembrando-se da sua própria infância e daqueles felizes dias de verão.

Alice no país das maravilhas


E a Duquesa para Alice...

"e a moral disso é..." Oh!, é o amor, é o amor que faz o mundo girar!"
"e a moral disso é...Tome conta do sentido e os sons tomarão conta de si mesmos."
"Como ela gosta de achar uma moral em tudo!", Alice pensou consigo mesma.
"Aposto como você está pensando porque eu não coloco meu braço na sua cintura", a Duquesa falou, depois de uma pausa. "A razão é: tenho dúvidas em relação ao humor do seu flamingo. Posso experimentar?"
"Ele pode bicar", Alice cautelosamente replicou, não se sentindo nem um pouco a fim de que ela tentasse.
"Bem verdade", disse a Duquesa, "flamingos e a mostarda bicam. E a moral disso é...Pássaros da mesma plumagem voam juntos."
"Só que a mostarda não é um pássaro", Alice observou.
"Certo. Como sempre", disse a Duquesa, "você tem uma maneira muito clara de colocar as coisas!"
"É um mineral, eu acho", disse Alice.
"É claro que é", disse a Duquesa, que parecia pronta para concordar com tudo que Alice dissesse. "Há uma grande máquina de mostarda perto daqui. E a moral disso é...Quanto mais tenho para mim, menos sobra para os outros."
"Ah!, já sei!", exclamou Alice, que não tinha prestado atenção à última observação da Duquesa. "É um vegetal. Não parece com um mas é."
"Eu concordo com você", disse a Duquesa, "e a moral disso é... Seja o que você parece ser... ou, se você prefere colocar isso de um jeito mais simples... Nunca se imagine diferente do que deveria parecer para os outros o que você fosse ou poderia ter sido não seja diferente do que você tendo sido poderia ter parecido para eles ser diferente."
"Eu acho que poderia entender melhor", disse Alice polidamente, "se eu tivesse isso por escrito: não consigo seguir com você falando."
"Isso não é nada em comparação com o que eu poderia dizer, se quisesse", replicou a Duquesa num tom de prazer.
Por favor, não se dê ao trabalho de dizer isso mais complicado que já disse", falou Alice.
"Oh, não fale em dar trabalho", disse a Duquesa. "Dou-lhe de presente tudo o que já falei até agora."